Segredos da Anitha

Dezembro 23, 2009

A Cidade

Olhando você de perto
Sinto-me tão grande
Em sua pequeneza
Você me sufoca, estrangula
Com todos os seus olhares
Suas opiniões insanas
Quero me libertar
Quero ser ninguém
A liberdade do anonimato
O passar sem ser notada
Ser apenas eu
Poder viver na real
O que finjo viver por aqui

Um dia aceito o seu convite:

Vamos pra Finlândia!
posted by Anitha at 8:57:00 PM 0 Revele-se

Dezembro 21, 2009

Descoberta

Não se procura o que já tem
Não há com o que se teimar
Não há nuvens no céu da boca
Há mares no meu olhar

Choro a tua ausência
Grito o teu silêncio
Posso sentir o teu cheiro
Finjo que você está.
posted by Anitha at 1:52:00 PM 0 Revele-se

Novembro 25, 2009

Abraço

Quero te abraçar
E te tirar o ar
Tirar você do chão
Mas forças me faltam
Sentir teu calor apenas
E o bater do teu coração
Me aconchegar
E os olhos fechar
Respirar
E o teu cheiro guardar
Pra mim
posted by Anitha at 9:57:00 AM 2 Revele-se

Novembro 17, 2009

Ansiedade

Ansiedade nauseante
Por que não paro de tremer?
Mal consigo respirar
Direito
Isso sempre volta
Por mais que se cresça
Insegurança não é coisa de criança
Apenas
Nos acompanha a vida inteira
E nos faz reféns
Auto controle, concentração
Então
Nem sempre é possível obtê-los
Ficando apenas na pretensão
Surtei!
posted by Anitha at 3:19:00 PM 2 Revele-se

Novembro 11, 2009

Do ócio o querer que cresce
Em sua solidão que consola
Volúpia sob controle
Numa cadeira branca
Estimula os sonhos
E vive o que não é
Ela brinca de se saciar
Dentro do seu egoísmo
Que é tão cínico
E é tão sexy
E tão só
posted by Anitha at 10:25:00 AM 4 Revele-se

Novembro 04, 2009

Tranca

Ela está há horas trancada no banheiro. Adora se trancar, mesmo não tendo mais ninguém em casa; sente um contentamento exagerado com esse ato. Seu corpo curvilíneo estirado no chão frio é atingido em cheio por alguns raios de sol que atravessam a vidraça da pequena janela. A camisola púrpura repleta de pequeninas caveiras denuncia sua adolescência rebelde e com ela os milhares de conflitos que parecem estrangulá-la. Deitada no chão viaja por lugares distantes na companhia de pessoas da qual ela mal tem coragem de encarar quanto mais trocar meia dúzia de palavras. Já delineou suas sobrancelhas, tirou as cutículas, pintou todas as suas unhas de Vermelho Desejo. Estava no auge do seu tédio quando resolveu abrir o armário onde ficava o kit de primeiros socorros e os remédios da casa. Começou a brincar com as drágeas coloridas, fez um arco íris com elas e as engoliu, as sete cores, uma a uma, por puro capricho. Já não havia mais sol e o chão era fogo em brasa. Ela adorava se trancar, ela adorava dificultar. Agora ficará trancada para sempre dentro do seu caixão de mogno.
posted by Anitha at 3:25:00 PM 4 Revele-se

Outubro 26, 2009

Ouço os ecos do silêncio
Nuvens negras vem passear
Assusto com minha sombra
Rio do meu assustar

A solidão me abraça forte
Há tanto em que pensar
Falta água pros gatos
Chove há dias sem parar

Não é não ter o que fazer
É simplesmente me deixar levar
Sem você por aqui
Tenho que me acostumar

Às vezes essa calmaria me sufoca
Fico a me perguntar
Se eu não estivesse aqui
Estaria bem em outro lugar?
posted by Anitha at 4:56:00 PM 4 Revele-se